11/09  -  'Battisti é o Lobo Mau ou Chapeuzinho Vermelho?'

O governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva - que se arrasta desde 2002 e promete nos assombrar indefinidamente - tem patrocinado trapalhadas sem par. A mais recente diz respeito ao criminoso, tido como "guerrilheiro", Cesare Battisti, de nacionalidade italiana, que gerou desentendimentos, inclusive entre o Ministério das Relações Exteriores, do "companheiro" Celso Amorim, e o da Justiça, do companheiro Tasso Genro.

Eles brigaram por que o Itamaraty aceitou as razões italianas e opinou pela extradição desse cidadão. Mas o Ministério da Justiça achou o contrário, com o aval de Lula e aí a porca torceu o rabo. O polêmico tema foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), já assoberbado diante de tanto trabalho e disputas nos Três Poderes.

A questão é simples: Cesare Battisti seria uma espécie de "Lobo Mau" ou de "Chapeuzinho Vermelho" da fábula infantil? Tudo começou quando a Itália o condenou à prisão perpétua, por homicídio e por considerá-lo um criminoso comum. Durante o tempo em que se rotulava de "subversivo", na década de 1970 - quando integrava uma organização de extrema esquerda - ele assassinou, friamente e com requintes de crueldade, quatro pessoas, entre as quais um açougueiro, um joalheiro e também, embora não tenha matado, deu um tiro, pelas costas, num menino (na medula), que ficou paraplégico.

O que se pergunta é: estes são crimes políticos? Tasso Genro, Lula e seus aloprados acham que sim. Mas ministros do STF estão decidindo se é ou não é. Quatro deles já opinaram que sim. Três votaram a favor do criminoso. E, ao votar, o ministro Marco Aurélio jogou mais gasolina na fogueira de vaidades, pedindo mais tempo para pensar. A tendência da nossa Suprema Corte é extraditá-lo para a Itália, como quer a Justiça italiana e tribunais internacionais que o condenaram e o consideraram um criminoso comum, sem direito ao status de asilado político.

O jornalista Alexandre Garcia, sempre equilibrado em seus comentários, disse no "Bom Dia Brasil", da Rede Globo, que "é bom lembrar, nesses quatro a três, que foi o governo de esquerda de Romano Prodi que pediu a extradição, que a Itália era uma democracia quando Battisti matou quatro, e quando o julgou três vezes. Desde o fim de Mussolini, a Itália tem uma democracia de 63 anos ininterruptos. Bem mais que o Brasil, e além dos três tribunais italianos, três tribunais franceses e o tribunal europeu de direitos humanos, a pedido de Battisti, deram ganho de causa à Itália".

Afinal, o que se pergunta é se o governo brasileiro, tido como de esquerda (há quem questione e o considere de direita) - levando em conta os laços fraternos que nos unem ao povo italiano - deve tomar o partido de um criminoso, sem qualquer ligação com nosso país, e se indispor com os amigos italianos. Até porque, mesmo aqui, a permanência de Battisti no país não conta com simpatia geral.

Apenas o PT, particularmente o ministro Tasso Genro, insiste na tese de que o italiano merece status de asilado político, talvez levando em conta seu passado e o de muitos integrantes do governo Lula, como Dilma Rousseff, e outros tantos ex-guerrilheiros abrigados na agremiação que tem como símbolo a estrela.

É bom lembrar que este governo nutre simpatias pelos terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), e tem, sistematicamente, ficado indiferente aos apelos do presidente colombiano, Álvaro Uribe, em sua luta permanente luta contra eles. Um, inclusive, ex-membro do alto comando dos guerrilheiros, está asilado no Brasil. Sua esposa, pasmem, é assessora do Ministério da Pesca.

Logo, não é de estranhar a simpatia petista ao criminoso Cesare Battisti. O que se lamenta é que esta simpatia, de pessoas e partido passe a ser do país chamado Brasil, que, tradicionalmente, abomina todas as formas der violência.

Battisti não é um criminoso político, e sim de natureza comum. Matou inocentes, que nada tinham a ver com a luta que ele e sua facção travavam. A Itália é uma democracia há mais tempo que o Brasil, seus tribunais o condenaram e os de organismos internacionais também. Não há como justificar o ato de Tasso Genro, de Lula e outros aloprados, e é isto que o STF está decidindo.

A julgar pelos antecedentes dos ministros que faltam votar, já é tida como certa a sentença que expulsa o terrorista deste país, tradicionalmente amante da ordem, da justiça e da democracia. Nosso país já teve regimes de exceção que nos custaram caro. O "Estado Novo", de Vargas, a Ditadura Militar dos generais (ao longo de 20 anos) e, a partir de 1985, vivemos uma democracia plena. Mas isto não significa que devemos abrigar foragidos da Justiça internacional, ou, em defesa deles, nos colocarmos contra as leis de países amigos, como a Itália.

Os criminosos passam, mas o respeito e a amizade entre os povos permanece. Será que Tasso Genro, Lula e seus aloprados não sabem disso?

O Globo