10/03  -  Aécio rechaça especulações sobre desistência de Serra - Estado de MG

Aécio rechaça especulações sobre desistência de Serra

 

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), cobrou nesta terça-feira o fim das especulações sobre uma possível desistência do colega paulista, José Serra, de concorrer à Presidência da República como candidato tucano. Aécio também criticou a "aflição" de correligionários e aliados da oposição com a demora do governador paulista em assumir a candidatura. E voltou a prometer empenho na campanha de Serra em Minas, "provavelmente" como candidato ao Senado.

"É preciso que paremos de uma vez por todas com essas especulações de que é possível haver uma mudança, uma alteração (do presidenciável tucano). O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo", afirmou, durante visita às obras do Hospital Municipal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Aécio renunciou em dezembro à disputa interna pela indicação do PSDB, deixando o caminho livre para Serra.

 

Com o crescimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto, como mostrou o último levantamento do Datafolha - na qual Serra aparece apenas quatro pontos porcentuais à frente da pré-candidata petista -, a hipótese de desistência do governador de São Paulo voltou a circular entre os tucanos aecistas. Na semana passada, durante a festa de inauguração do centro administrativo de Minas, Serra sofreu o constrangimento de ouvir o coro de "Aécio presidente".

Publicamente, o governador mineiro tem repetido, porém, que não acredita que o colega paulista poderá abdicar da candidatura presidencial, optando por disputar mais um mandato no Palácio dos Bandeirantes. Ao mesmo tempo, rechaça a ideia de compor como vice numa chapa puro-sangue tucana

Em Uberlândia, Aécio foi questionado sobre declarações do presidente do PSDB paulista, deputado federal Mendes Thame, e se o PSDB estaria perdendo tempo e terreno na disputa presidencial com a estratégia de Serra. "Não acredito. Não tenho essa aflição que vejo em muitas figuras hoje, não apenas do meu partido, mas que nos apoiam", disse o mineiro.

O governador de São Paulo programou anunciar a candidatura somente no prazo limite para a desincompatibilização, no fim de março ou início de abril. Para Aécio, a disputa pelo Palácio do Planalto "está longe ainda de ter ainda o seu ápice". "A campanha está longe ainda do debate. E acredito firmemente que, no momento em que houver o debate entre os candidatos, o governador de São Paulo, José Serra, tem todas as condições de enfrentá-lo e, pela sua história de vida, tem todas as condições de vencer essas eleições".

Papel

Apesar de reafirmar a disposição de concorrer ao Senado, o governador mineiro, mais uma vez, não foi categórico. "Temos um período para oficializar candidaturas, mas o meu sentimento é de que o papel melhor que eu possa cumprir, para dar continuidade a esse projeto extremamente exitoso de governo que está ocorrendo em Minas Gerais, é estar aqui, provavelmente como candidato ao Senado, ao lado do vice-governador Antonio Anastasia", afirmou, se referindo ao candidato do PSDB à sua sucessão.

"Daqui de Minas Gerais vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra. Mas cabe a ele anunciar no momento que achar mais adequado", ressaltou.

 

 

 

Serra termina inauguração no interior de SP em padaria

 

A menos de 25 dias para deixar o governo paulista e com uma agenda extensa de obras por inaugurar, o governador e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, entregou a segunda maior estação de tratamento de esgoto da sua gestão e encerrou sua visita ao interior do Estado com um café numa das padarias mais tradicionais de Taubaté.

Em um ritual típico de candidato, Serra, ao deixar a inauguração de Tremembé percorreu de carro cerca de 20 quilômetros até a cidade vizinha para tomar um chocolate quente, tirar fotos e puxar conversas com moradores e funcionários. “Ele me pediu para levá-lo a uma padaria gostosa e tradicional perto daqui”, disse o prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB), que o acompanhou durante toda a visita.

Ao inaugurar a 41ª estação de tratamento de esgoto de seu governo - a unidade só perde em tamanho para a de Santos, na Baixada Santista - Serra destacou os investimentos do Estado no setor de saneamento. “Nós duplicamos na nossa gestão os investimentos da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), sem contar outros investimentos em saneamento”, discursou.

A área é um dos pilares do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma das vitrines de campanha da pré-candidata do PT à Presidência da República, ministra Dilma Rousseff. Em quatro anos serão aplicados R$ 6,8 bilhões, afirmou Serra. Com a entrega de ontem, o governo promete coletar e tratar 100% do esgoto da população das duas cidades.

 

 

 

PSDB prepara evento para anúncio de Serra no dia 22

 

O PSDB prepara um grande encontro nacional para o anúncio oficial da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República. Serão convidados para a "pré-convenção", que deve ocorrer provavelmente na semana do dia 22, candidatos a governador do partido em outros Estados, parlamentares e políticos aliados.

O objetivo é dar a largada extraoficial da candidatura de oposição ao governo federal - a formalização do nome de Serra só ocorrerá em junho, mês das convenções partidárias, segundo determina a Lei Eleitoral.

Parlamentares já receberam avisos do núcleo próximo ao governador de que a data mais provável é dia 22. A ideia é criar um evento que dê repercussão e sirva de contraponto ao lançamento, há pouco mais de duas semanas, da pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).

Para os tucanos, o crescimento de Dilma nas pesquisas está relacionado a sua exposição nos últimos dias. No evento, será feito um balanço da gestão tucana em São Paulo e será apresentado ao público o discurso que balizará a campanha do PSDB.

Discurso

Uma das maiores preocupações de Serra hoje, afirmam aliados, é com o discurso que servirá de carro-chefe para a disputa. O núcleo mais próximo do governador tem se reunido com frequência para discutir e formatar a espinha dorsal da campanha. Participam do grupo, que se reúne semanalmente na casa de Andrea Matarazzo, nomes que atuaram durante o governo Fernando Henrique Cardoso, como Eduardo Graeff e Eduardo Jorge Caldas Pereira, que ocuparam a Secretaria-Geral da Presidência

Após o lançamento de Serra, os tucanos pretendem confirmar a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo do Estado. A ideia é criar outro ato de repercussão na imprensa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Ritmo de campanha »

Ao lado de Anastasia, Aécio anuncia investimentos em Uberlândia

O governador Aécio Neves (PSDB) aproxima-se do fim de seu mandato cumprindo uma série de promessas, entre elas a de colocar o pé na estrada com o vice-governador e pré-candidato tucano ao governo de Minas, Antonio Anastasia. Aécio, que se desincompatibiliza do cargo no dia 30 para, conforme tem anunciado, concorrer a uma vaga no Senado anunciou ao lado de Anastasia, ontem, uma série de investimentos pesados na cidade de Uberlândia, Região do Triângulo Mineiro.

Ele participou de várias inaugurações ao longo do dia, na cidade, sempre ao lado de seu candidato a sucessor e do postulante ao cargo de vice na chapa com Anastasia, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Alberto Pinto Coelho (PP).

Junto ao prefeito Odelmo Leão (PP), de deputados federais e estaduais, o governador deu início à agenda comparecendo à expansão de uma fábrica da Cargill, um investimento de R$ 112,5 milhões. Depois, seguiu para a inauguração do Entreposto Aduaneiro da Zona Franca de Manaus, obra estratégica para a região polo-atacadista, já que ajudará a escoar a produção do Amazonas. A maratona terminou na prefeitura num ato para a assinatura de convênios que teve troca de elogios, discursos pré-eleitorais e gritos da platéia aclamando o governador e o prefeito de Uberlândia.

Apenas em investimentos do estado foram anunciados R$ 15 milhões na aquisição de equipamentos para o Hospital e Maternidade de Uberlândia, R$ 121,5 milhões na implementação e pavimentação de uma estrada ligando Uberlândia a Campo Florido, R$ 12 milhões para a construção de um viaduto, ampliação do Distrito Industrial em uma área de 70 mil metros quadrados por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a cessão de uma fazenda de 672 mil metros quadrados para o desenvolvimento de pesquisa agropecuária.

Em tom de despedida, Aécio lembrou que, em poucos dias, deixará o governo para, em seguida, frisar que deixará o cargo nas mãos de Anastasia, a quem declarou como a única alternativa para a continuidade de seu modelo de gestão. “A candidatura do Anastasia foi uma solução natural, aceita por todos os nossos aliados. Não existe ninguém em Minas Gerais hoje em melhores condições de dar prosseguimento e aprofundar a nossa ação de governo.”

Prioridade


O governador voltou a lembrar que estará voltado para as questões de Minas, o que significará seu empenho na campanha para fazer o sucessor. “Sempre será uma eleição dura, mas estarei mergulhado nas questões de Minas. Não podemos voltar a práticas do passado e interromper o exitoso modelo de gestão que hoje o Brasil admira e o mundo respeita.” A declaração, feita dias depois da convenção do PSDB em São Paulo para discutir o projeto nacional do partido, afasta mais uma vez a possibilidade de uma composição de Aécio no posto vice em uma chapa do provável candidato tucano, o governador paulista José Serra (PSDB).

Sobre a indefinição do palanque adversário em Minas – pleiteado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT), o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Patrus Ananias (PT) e o ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB) – Aécio afirmou estar muito seguro quanto ao que chamou de vitória do seu modelo de gestão. “O nosso projeto de governo é que será julgado pela população mineira. E aqueles que quiserem a sua continuidade terão uma opção apenas que é a candidatura do vice-governador. Tenho muita confiança de que teremos condições de vencer independentemente de quem for o nosso adversário.”

Questionado se a presença do presidente da ALMG seria um indicativo de que já haveria alguma definição quanto ao posto de vice em uma chapa com Anastasia, Aécio revelou que o nome deverá ser anunciado apenas em maio. “Está cedo para isso ainda. Acredito que, na última quinzena de maio, teremos essa definição, que não será minha pessoal, mas dos partidos coligados.”

 

Itamar deixa Conselho do BDMG para se candidatar

O ex-presidente Itamar Franco (PPS) deixou a presidência do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e renunciou ao cargo de conselheiro da instituição. Itamar anunciou no fim de janeiro que será candidato a uma vaga no Senado na eleição de outubro. A decisão poderá acirrar uma disputa que tem como possíveis candidatos também o governador Aécio Neves (PSDB) e o vice-presidente José Alencar (PRB).

Num sinal de que a relação com Aécio não ficou arranhada, o ex-presidente deixou a presidência do BDMG, mas a Assembleia Geral Extraordinária dos Acionistas do banco indicou hoje uma aliada sua para o cargo. A advogada Ângela Pace - que foi secretária de Justiça de Itamar, quando ele era governador de Minas - foi indicada para a presidência do Conselho de Administração.

Itamar renunciou ao cargo de membro do Conselho do BDMG no último dia 1º. O administrador Mauro Lobo foi eleito para a vaga.

 

Alencar reafirma estar disposto a concorrer ao Senado

O vice-presidente da República, José Alencar, disse na noite desta terça-feira estar disposto a disputar uma vaga ao Senado Federal pelo Estado de Minas Gerais. O político mineiro, que já exerceu o cargo de 1999 a 2002, afirmou que a agenda no Legislativo é mais leve que no Executivo e teria mais condições de voltar ao Senado do que exercer o cargo de governador de Minas Gerais, ao qual tem sido cogitado. "Eu tenho saudade do Senado", disse Alencar. "O Senado é uma casa que oferece oportunidade para a gente levar alguma contribuição para o país", acrescentou.

Questionado sobre se seria beneficiado em uma eleição após os recentes escândalos envolvendo a Casa, Alencar evitou polemizar. "A renovação é natural na vida pública. É assim mesmo. Hoje, por exemplo, o eleitor está mais cabreiro. Isso é bom", tergiversou. "Eu confesso que prefiro uma candidatura ao Legislativo. Eu prefiro porque tenho 78 anos ao fim deste mandato. Para a minha idade, além de poder levar toda a experiência ao Legislativo, eu teria condições perfeitas de cumprir uma agenda no Legislativo", acrescentou.

Alencar voltou a dizer que sua candidatura dependerá do resultado dos exames a que será submetido nos dias 16 e 17 de março, para avaliar a evolução de seu tratamento contra um câncer do abdome, contra o qual luta há 12 anos. "Não seria normal e não teria cabimento que eu fosse candidato se não estivesse bem de saúde. Mas, se eu estiver bem...", deixou no ar.

O vice-presidente reiterou que tem se sentido muito bem, apesar das sessões de quimioterapia. Alencar disse ainda que tem o apoio de todos os partidos políticos, inclusive da oposição. "Todos os partidos querem me dar apoio. É uma beleza", disse.

As declarações de Alencar foram dadas antes da homenagem que é prestada ao vice-presidente pelo Conselho Consultivo do World Trade Center, na capital paulista. O político mineiro recebe o título de conselheiro de honra da entidade.

 

Municípios se mobilizam contra distribuição de royalties

Os municípios fluminenses produtores de petróleo iniciaram uma última ofensiva contra mudanças na distribuição do benefício, incluídas no projeto de lei do pré-sal que deve ser votado hoje na Câmara dos Deputados. Nessa segunda-feira entregaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertando sobre os riscos da aprovação da medida. Nesta quarta, têm encontro marcado com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

A mobilização teve início na semana passada, com protestos nos principais municípios beneficiados pelos royalties. O foco da ação está na Emenda 387, proposta pelos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), que prevê a distribuição dos royalties do petróleo segundo os critérios do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), inclusive para os campos já
em produção.

A Organização
dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) alega que, se aprovada, a mudança provocará a falência das cidades beneficiadas. Cálculos feitos pela entidade apontam que, em média, os municípios produtores perderiam 90% de sua arrecadação com o petróleo. Campos, o maior beneficiado, por exemplo, veria sua receita cair dos R$ 838 milhões verificados no ano passado para R$ 1,5 milhão.

Macaé, base das atividades da Petrobras, passaria a receber o mesmo valor, ao invés dos R$ 345 milhões que recebeu no ano passado. O principal argumento em defesa da manutenção dos royalties é o caráter indenizatório da taxa, que foi criada para compensar os impactos ambientais e de infraestrutura causados pela atividade. "Royalty não é tributo e sim indenização paga devido a uma exploração de um bem ou produto", diz a carta entregue a Lula.

A Ompetro, no entanto, reforçou o pleito alegando que a aprovação da Emenda 387 viola a Constituição, por ferir o direito adquirido dos municípios, e sua aprovação poderia criar risco jurídico para o novo marco regulatório do pré-sal.

Presidente da entidade, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, disse que Lula se comprometeu a pedir que a bancada governista se atenha aos aspectos regulatórios na votação de hoje, sem avaliar a questão dos royalties.