10/03  -  Lula diz que Dilma está preparada para ser a 1ª presidente - O Estado do PR

Lula diz que Dilma está preparada para ser a 1ª presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em entrevista à Associated Press, a pré-candidata do PT a sua sucessão, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, das acusações de que ela poderia levar o maior país da América Latina para a esquerda e elevar o controle do Estado sobre a economia.

"Dilma vai manter a política de livre mercado no Brasil e está preparada para se tornar a primeira presidente mulher, embora nunca tenha se candidatado a um cargo eletivo", disse ele.

"Eu não ofereceria ao povo brasileiro uma pessoa em quem eu não confiasse", disse Lula.

 

 

Oposição critica declarações de Lula sobre Cuba

As palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os presos cubanos, em entrevista dada hoje à Associated Press, foram consideradas "oportunistas" e "incoerentes" por parlamentares das comissões de Relações Exteriores da Câmara e Senado e também pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Para o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), Lula erra ao comparar os presos comuns dos presídios brasileiros com os detidos em Cuba por crimes políticos. "É mais do que oportunismo, é de um cinismo atroz. Jamais compare alhos com bugalhos. É preciso denunciar a situação caótica dos presídios brasileiros, mas também devemos ter coragem de condenar o tratamento aos presos cubanos", afirmou o deputado, integrante da Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

O presidente da comissão, deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), compartilhou do mesmo discurso. "O Brasil tem que ser contra a prisão política. Todo o esforço do País em ter uma política externa de relevo vai por água abaixo com esse discurso do presidente", afirmou. Segundo Fernandes, o tema pode ser discutido na primeira reunião da comissão, marcada para amanhã.

 

Jungmann criticou ainda a declaração em que Lula afirma que não vai se intrometer na legislação, muito menos na Justiça cubana. Segundo o deputado, Lula interveio em Honduras porque acreditava que o presidente deposto, Manuel Zelaya, sofrera um golpe da "direita", embora tenha sido deposto judicialmente. Mas no caso de Cuba, uma "ditadura de esquerda, Lula diz que não se intromete".

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), classificou de "incoerente" a declaração sobre não intervenção. "Tivemos uma ação de interferência na Itália, quando ele não quis extraditar o terrorista Cesare Battisti. É uma posição ao sabor dos ventos", frisou o tucano. "Acredito que o presidente esteja sendo incoerente com o seu passado. Não é possível comparar preso político com criminoso comum", afirmou.

 

A posição dos parlamentares foi seguida pelo presidente da OAB nacional, Ophir Cavalcante. "É uma questão de viés ideológico. A leitura que o governo Lula faz do regime de Cuba é de que é um governo popular e socialista e estaria legitimado. Nossa sociedade tem outra formação que não condiz", afirmou. "Parece que o presidente confunde a greve com fins políticos com greve de fome feita por criminosos comuns. É uma comparação que não tem cabimento. Eu não sei que finalidade há por trás disso, mas essa é uma comparação sem nenhum tipo de fundamento".

 

 

Tucano quer que promotor explique Caso Bancoop

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou hoje requerimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para que seja convocada audiência com o promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, para explicar as denúncias contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O promotor acusa o petista de ter desviado R$ 100 milhões da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) para caixa 2 do partido. O requerimento deve ser colocado em votação amanhã na CCJ. Na condição de convidado, o promotor de São Paulo pode recusar a solicitação.

O senador também pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) a realização de uma auditoria nas contas dos fundos de pensão Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ); Fundação dos Economiários Federais (Funcef); e Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), para investigar a aplicação de recursos destas entidades na Bancoop. O pedido precisa ser aprovado pelo plenário do Senado antes de ser encaminhado ao TCU.

Investigação comandada por José Carlos Blat aponta desvios da ordem de R$ 100 milhões da Bancoop. Blat está convencido de que uma fatia do montante foi destinada a campanhas eleitorais do PT. O promotor não aponta valores exatos que teriam tomado esse rumo porque, alega, depende de investigações complementares.

Na sexta-feira, Blat requereu a quebra do sigilo bancário e fiscal de João Vaccari Neto, que presidiu a cooperativa até fevereiro, quando deixou o cargo para assumir o posto de tesoureiro do PT. Também foi pedida uma devassa nos investimentos de dois ex-diretores da entidade, Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga. O promotor quer o bloqueio das contas da Bancoop.

 

Vaccari quer impedir bloqueio de bens da Bancoop

A defesa do tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), João Vaccari Neto, entrou hoje com pedido no Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia (Dipo), órgão do Poder Judiciário, para impedir o bloqueio dos bens da entidade. O bloqueio foi solicitado na semana passada ao Dipo pelo promotor José Carlos Blat, da 1ª Promotoria Criminal da Capital, que investiga denúncias de um esquema de desvio de dinheiro da cooperativa para campanhas eleitorais do PT.

O advogado de Vaccari, o criminalista Luiz Flávio D'Urso, disse que o bloqueio das contas da instituição impediria o cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre a Bancoop e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em 2009. O documento estabelece regras e prazos para a conclusão de obras e entrega de imóveis para os cooperados.

"O TAC foi celebrado, homologado judicialmente e estava sendo fielmente cumprido pela Bancoop", afirmou D'Urso. "Ao pedir o bloqueio das contas, na prática, o Ministério Público está impedindo que a Bancoop possa honrar com o TAC que fez com o próprio Ministério Público. Se bloquear a conta, a Bancoop não tem dinheiro para tocar as obras. O prejuízo maior será para o cooperado."

Na petição ao Dipo, D'Urso pede também a redução do período de abrangência da quebra de sigilo bancário pedido por Blat. "Não há oposição à quebra de sigilo, desde que ela se limite ao período da investigação, de 2003 a 2005. De 2003 até hoje não dá", disse o advogado. Segundo o criminalista, Vaccari afastou-se em 2007 da presidência da Bancoop e não atuou de forma direta na cooperativa a partir de então. "Se não tem fundamento, não aceitamos que quebre o sigilo, mesmo que Vaccari não deva nada."

O caso é investigado pelo MP-SP desde 2007 e voltou ao noticiário nesta semana depois que a revista Veja publicou matéria sobre o assunto. D'Urso criticou a exposição de seu cliente sem provas e desafiou o promotor do caso a oferecer denúncia à Justiça. "Se o promotor tem as convicções que diz ter, ponha as convicções com seus elementos e apresente sua denúncia. Inicie o processo criminal."

 

Querem derrubar Pugliesi da presidência do PMDB

Roger Pereira e Elizabete Castro

 

Garantido no cargo de presidente do PMDB de Curitiba após o juiz Rogério Ribas derrubar a liminar que anulou a convenção municipal do ano passado, Doático Santos parece querer mostrar força. Ele está convocando os peemedebistas da capital para lançar o movimento Requião 2010 que, segundo ele, significa colocar o governador Roberto Requião (PMDB) como personagem principal na condução do partido nas eleições de outubro, ou seja, alçar Requião à presidência do partido, depondo o atual presidente, deputado Waldyr Pugliesi.

“O PMDB de Curitiba se reúne quinta-feira (amanhã) para dar largada à chamada geral Requião 2010. Queremos reunir um grande contingente em torno da liderança do governador. Nossa intervenção direta e no Estado do Paraná e, para isso, é muito importante que o Requião esteja na direção do partido. Ele é nossa maior liderança e o fato de ele ter ascendência direta sobre a estrutura partidária é importante para esse papel que queremos que ele tenha, de mobilizar a sociedade paranaense na campanha eleitoral”, disse Doático.

O presidente do PMDB do Paraná disse que após a reunião de Curitiba tentará difundir a ideia nos demais diretórios municipais do partido. “Entendemos que nosso pensamento é o mesmo que da ampla maioria da base partidária. A imensa maioria vai acompanhar essa nossa postulação”. Doático disse pregar respeito a Pugliesi mas entende que Requião, com sua liderança, precisa comandar o partido. “Temos certeza que ele (Pugliesi) vai nos ajudar a tomar a melhor decisão para o partido, com a tradição democrática do PMDB para chegarmos a bom termo”, disse Doático que acredita que com o “respaldo partidário para se dirigir à sociedade paranaense no processo eleitoral, Requião nos dará condições de levar nosso candidato ao governo, Orlando Pessuti, à vitória e, ainda à construção de bancadas altamente representativas”.

Doático acredita que até abril o PMDB do Paraná define se troca ou não de comando, mas disse não ter pressa. “O prazo será determinado pela inteligência do partido, que sabe interpretar a conjuntura política como ninguém.

Enquanto Doático estará no diretório tramando a troca de comando no partido, amanhã, o presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, estará em Umuarama, comandando mais um encontro do partido para alavancar a candidatura do vice-governador Orlando Pessuti à sucessão estadual. Pugliesi tem evitado comentar o movimento para destituí-lo do cargo, mas resumiu a situação em um comentário. “Por que não colocam toda essa energia, que estão usando para derrubar um companheiro, na construção da candidatura do Pessuti? Por que não fazem uma chamada geral para mobilizar o partido em torno da candidatura do Pessuti?”, provocou.

Na bancada do PMDB, o movimento para colocar o governador Roberto Requião no lugar de Pugliesi tem gerado constrangimento entre os deputados. “O Waldyr Pugliesi será presidente do partido até o fim do mandato para o qual foi eleito. Vamos parar com essa história”, disse o líder do governo, Luiz Claudio Romanelli. Já o deputado Caito Quintana disse que, oficialmente, não há nenhuma manifestação do partido em defesa da troca de presidentes. “Para mim, isso não existe”, afirmou Quintana que considera que este tipo de questão jamais deveria ter sido tratada nos meios de comunicação.

 

Governo encomenda estudo sobre mulheres nas eleições

No ano em que o governo federal terá uma ministra candidata à Presidência da República, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres lançou um edital para realizar pesquisa a respeito da participação feminina nas eleições 2010. A licitação vai custar R$ 1 milhão ao Tesouro Nacional.

O objetivo da pesquisa, segundo Sônia Malheiros Miguel, subsecretária de Articulação da pasta, é identificar os motivos que determinam a baixa participação feminina nos centros de decisão política. "Queremos aprofundar um tema que intriga os pesquisadores, que é essa subrepresentação da mulher nos espaços de poder", disse.

Sônia negou o intuito eleitoral da pesquisa ao ser questionada sobre o motivo de o trabalho ser realizado na eleição 2010, quando poderia ter sido feito, por exemplo, no pleito municipal, há dois anos. Embora o período coincida com o lançamento de uma candidata à Presidência - a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o timing da pesquisa é adequado, disse. "É um período importante para estudar esse assunto e estamos seguindo as regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)", afirmou.

Segundo Sônia Miguel, membros do governo não terão acesso aos dados da pesquisa até o final das eleições. A secretaria é subordinada à Presidência da República. "Haverá uma divulgação preliminar em dezembro. Não teremos acesso aos dados antes disso", afirmou. Segundo ela, as informações servirão de base para a formulação de ações que possam elevar a participação das mulheres na política.

O levantamento será realizado entre os meses de julho e dezembro deste ano e, de acordo com o edital disponível na internet, deverá abranger dois eixos: comportamento e tendências do eleitorado e monitoramento e análise de candidaturas e candidatos (as) a cargos majoritários. O projeto também inclui o monitoramento dos candidatos na mídia com abrangência nacional. Poderão participar da licitação instituições públicas, como universidades e institutos e fundações de pesquisa.