10/03  -  PT pagará R$ 10 mil à ministra na campanha - Folha de PE

PT pagará R$ 10 mil à ministra na campanha

BRASÍLIA - Pré-candidata do PT à Presidência da República, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) confirmou ontem que vai receber salário pago pelo partido durante a campanha eleitoral. Como Dilma deixará o Governo no começo de abril para poder ser candidata, a ministra disse que não pode “viver de brisa’’, e que por isso será custeada pelo partido ao longo da campanha.

“Eu vou ter que viver, eu sou obrigada a licenciar da minha atividade não só como ministra, mas da minha origem. Eu sou da fundação de economia e estatística e também não posso receber, tenho que pedir licença para tratamento de interesse. Não posso viver de brisa e não sou rica, vou ter que ter um salário do PT’’, afirmou. Sem falar em valores do seu futuro salário, estimado em R$ 10 mil, Dilma disse que nunca recebeu dinheiro do PT anteriormente - prática que será quebrada durante as eleições deste ano.

Pac 2

No dia 29 de março, cinco dias antes da data-limite para Dilma Rousseff deixar sua cadeira de gestora do governo, o presidente Lula pretende lançar o PAC2. Na tarde de ontem, houve mais uma rodada de reuniões sobre o PAC, com novas discussões sobre as áreas de transportes e portos.  

Na reta final antes da saída da ministra, Lula dedica boa parte do seu tempo a ajudar na campanha da sua candidata à sucessão no Planalto. Dos cinco dias úteis desta semana, Lula estará três deles com Dilma a tiracolo pelo País e nos outros dois dias, dedicado às discussões do PAC, plano que não será colocado em prática por este governo.

 

Dilma Rousseff não quer tesoureiro suspeito

BRASÍLIA (AE) - A ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse ontem que o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto, tem direito de defesa, mas que não será responsável pela tesouraria da sua campanha eleitoral. Ao chegar ao Senado para uma sessão solene em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, Dilma afirmou que não tinha como se manifestar sobre as denúncias de que Vaccari teria desviado recursos da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) para campanhas eleitorais petistas enquanto presidia a entidade. “Agora, acho que o Vaccari tem todo o direito de defesa. Nós temos tido bastante clareza em defender o direito de as pessoas se defenderem antes de serem condenadas, acusadas e de fato afastadas do que fazem”, disse.

Na entrevista, Dilma disse que o PT deve repetir o modelo de 2006, quando tinha duas tesourarias: uma do partido e outra da campanha. “Nós tivemos nas últimas eleições uma opção de diferenciar as duas tesourarias, uma vez que a tesouraria do partido tem mais obrigações que a da campanha presidencial”, afirmou. “A tendência é manter isso, a mesma coisa que ocorreu em 2006, na época da campanha do presidente Lula.”

A ministra não citou nomes que podem assumir o cargo de tesoureiro do PT. A uma pergunta sobre a proposta levantada por setores do PT de um “executivo” tomar conta dos recursos do partido, ela respondeu que nunca “comentou” nem “cogitou” essa possibilidade.

HOMENAGEM

Dilma Rousseff, foi ontem personagem principal de uma sessão do Congresso organizada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Ela sentou à mesa ao lado de Sarney e do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). A senadora Marina Silva (PV-AC), também pré-candidata, teve de acompanhar a solenidade na última fileira do plenário.

Em discurso, Dilma expôs, de forma discreta, sua plataforma de campanha para o eleitorado feminino. Ela avaliou que as mulheres são aptas a assumir postos importantes na política porque são “sensíveis”, “práticas” e “sensatas”. “Elas são fortes e não se curvam à dor, são corajosas”, afirmou. “Sempre me perguntam se uma mulher está preparada para assumir a Presidência”, disse. “Eu respondo que o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente e as mulheres estão preparadas.”

Só depois que Dilma se retirou do plenário, Marina Silva subiu à tribuna para discursar. Marina se queixou do PT. “A razão pela qual saí do partido foi a mesma pela qual fiquei nele durante 30 anos: a defesa da minha causa, que é a defesa de uma sociedade culturalmente mais diversa, politicamente mais democrática e socialmente mais justa.”

 

Ex-diretores podem ter delação premiada

SÃO PAULO (AE) - O Ministério Público estuda oferecer os benefícios da delação premiada a ex-diretores da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) para fechar o inquérito sobre suposto esquema de fraudes e desvio de verbas. A estratégia da promotoria criminal é quebrar a resistência de alvos da investigação que já foram chamados a depor, mas insistiram na versão de que não houve irregularidades na gestão da cooperativa.

Fundada em 1996 por um grupo do PT, a Bancoop sofre uma devassa da 1ª Promotoria Criminal da capital. Segundo o promotor José Carlos Blat, que conduz o inquérito, o rombo pode ultrapassar R$ 100 milhões. Ele está convencido de que parte desse dinheiro foi destinada a campanhas eleitorais do PT. Outra fatia teria caído na conta de dirigentes da cooperativa.

Blat requereu a quebra do sigilo bancário do ex-presidente da Bancoop João Vaccari Neto. O rastreamento alcança dois momentos: o primeiro relativo ao período em que o tesoureiro do PT ocupou o cargo de diretor administrativo financeiro da cooperativa, entre 2003 e 2004, e o segundo ao tempo em que ele exerceu a presidência, de novembro de 2004 até fevereiro de 2010.

O promotor quer acesso a dados de dois ex-diretores, Ana Maria Érnica e Tomás Edson Botelho Fraga. Ele avalia que poderá reforçar o inquérito com depoimentos de ex-integrantes da entidade. Por isso estuda convencer investigados a prestar colaboração. O Ministério Público sustenta que a cúpula da Bancoop, nas administrações Vaccari e de seu antecessor, Luiz Eduardo Malheiro - morto em acidente de carro em 2004 -, formou quadrilha para prática de estelionato, apropriação indébita de recursos de cooperados e lavagem de capitais.

O presidente da Assembleia de São Paulo, deputado Barros Munhoz (PSDB), assinou ontem documento que autoriza a abertura da CPI para investigar o suposto esquema de desvio de verba da Bancoop. A autorização será publicada hoje, no “Diário Oficial” de São Paulo.

PROCESSOS

Segundo o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, será feita uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público contra José Carlos Blat. O partido adianta ainda que vai ajuizar ações por calúnia e difamação contra a revista “Veja” e o jornal “O Estado de S. Paulo”.

 

Jarbas continua à espera de Serra

A demora do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em assumir a candidatura à Presidência da República, embora contestada pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), aparentemente, não deve servir de pretexto para que o peemedebista desista de disputar o Governo de Pernambuco em apoio ao tucano. Mesmo não escondendo a impaciência com a indefinição de Serra, na entrevista concedida ao jornal O Globo, publicada no último domingo, o ex-governador deu a entender, ontem, por telefone, que ainda não esgotou sua paciência. De seu gabinete em Brasília, afirmou que a sua decisão de se lançar ou não na corrida pelo Campo das Princesas “vai depender” do que o tucano lhe “apresentar”.

O peemedebista prefere não fazer prognósticos sobre a conversa decisiva que espera ter com o presidenciável. Mas não descartou, apesar entender estar em cima da hora para ajustes finais, dizer não, se necessário, ao pedido do gestor paulista para que encabece um palanque pernambucano. Bem humorado, Jarbas afirmou não ter recebido qualquer chamado de Serra para um encontro até ontem à noite. E confirmou a pretensão de retornar, na próxima quinta-feira, como de costume, ao Recife.

Na última segunda-feira, o senador previra uma “semana decisiva” e contou que combinara, por telefone, com Serra, na semana passada, que ficaria aguardando uma ligação dele “no início da semana”. Tal prazo, naturalmente, se encerra hoje.

Jarbas Vasconcelos informou ainda que também não chegou a cruzar com o presidente do PSDB Sérgio Guerra no Congresso ontem. “Sérgio chegou de São Paulo, mas eu não o vi. Estava no plenário, vim agora para o gabinete e não nos encontramos”, assinalou o peemedebista.

Nesses tempos de costuras finais, Guerra deu notícias ontem da conversa que teve com governador de São Paulo - prolongada até altas horas da noite da segunda-feira no Palácio dos Bandeirantes. Como resultado, o dirigente afirmou ser “absolutamente claro” que Serra é “candidatíssimo”. Ontem, Guerra almoçou com a bancada tucana como faz todas as semanas e passou o dia em contato com correligionários e aliados nos estados para arremates.

Fora isso, o clima é de “mergulho” na oposição. Excetuando-se Jarbas e Tasso Jereissati (PSDB-CE), que “cobraram” publicamente uma definição de Serra, a maioria dos aliados evita entrar em detalhes sobre a eleição, enquanto o governador de São Paulo não admite a candidatura.

 

Guerra: campanha só depois do afastamento

BRASÍLIA (Folhapress) - Em meio à pressão para que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lance sua pré-candidatura à Presidência da República, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, disse ontem que o tucano não vai cuidar de sua campanha antes de deixar o governo do Estado. Guerra negou que o PSDB tenha marcado o lançamento da pré-candidatura de Serra para o final de março ao afirmar que o governador vai priorizar até lá inaugurações de obras realizadas no Estado. “O governador Serra há muito tempo comunica a todos nós que não vai cuidar da campanha dele antes de se afastar do governo. Algumas pessoas concordam com isso, outras não, mas o fato é que estamos a 15 dias nesse desenlace. A opinião do governador vai prevalecer e todos nós acatamos”, afirmou.

Guerra disse que, depois de Serra evitar lançar sua candidatura desde o fim do ano passado, não vai acelerar o processo para agradar setores do partido. “O cronograma do governador estará cumprido. Ele será governador até o último momento. Logo a seguir vamos cuidar dessa questão (candidatura)”, afirmou.

Questionado sobre o nome do PSDB para disputar a vice-presidência na chapa de Serra, Guerra disse que essa a discussão só ocorrerá depois que a candidatura tucana estiver consolidada. “Vice é uma escolha que se faz no conjunto das forças que vão fazer a campanha de presidente. Não é uma escolha isolada do candidato a presidente, do PSDB ou de qualquer partido. Isso precisa ser visto no momento oportuno, não agora”, disse.

Guerra descartou a possibilidade do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) disputar como vice na chapa de Serra. Segundo o tucano, o parlamentar tem outros projetos nas eleições de outubro desvinculados da corrida presidencial. “O Tasso seria o melhor vice a qualquer chapa brasileira, como seria um excelente candidato à Presidência da República. Mas este é absolutamente um projeto que não está fixado nele”, afirmou.

O tucano admitiu que o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), era o nome de consenso dentro do partido para a vice. Como Aécio não aceitou o convite, Guerra disse que a discussão acabou adiada.