Marina: Sudene deve ser atualizada
Em sua primeira visita a Pernambuco como candidata oficial à Presidência da República, a senadora Marina Silva (PV) criticou as propostas de reativação da Sudene do presidenciável José Serra (PSDB), que, na vinda ao Estado, afirmou que, se eleito, seria presidente da autarquia por seis meses. A verde disse que, no formato em que existiu, a superintendência já cumpriu seu papel ao longo do século 20, e que o desafio, agora, é adaptá-la ao novo momento. “Como é que a gente atualiza o papel da Sudene no contexto de desenvolvimento regional sustentável? Esse é o desafio, essa é a atualização. Não adianta vir aqui e dizer que vai ser presidente de tudo e ainda vai ser presidente do resto, não é isso que resolve. O que resolve é o pensamento das novas estruturas e processos, porque tendo isso com clareza, podemos até delegar para outras pessoas, porque não somos rei Midas, que tudo que toca vira ouro”, provocou, ontem, durante coletiva concedida após desembarcar no Recife e antes de jantar com empresários locais.
A verde também defendeu a autonomia da Chesf. “É uma empresa importante que precisa ser reforçada, valorizada, fortalecida em lugar de ser subtraída, pela importância estratégica e orgulho que os nordestinos têm dela”, avaliou. Por conta das chuvas, Marina teve um atraso de três horas e meia na sua agenda prevista, acarretando o cancelamento da caminhada pelo centro da cidade.
Questionada se, caso eleita, iria peitar o Congresso Nacional pela aprovação da reforma Política, assim como prometeu José Serra, Marina lembrou que essa proposta já havia sido feita pelo grupo. “O Governo do PSDB disse que ia fazer reforma, não fez, pediu mais quatro anos, também não fez. O PT fez a mesma coisa. Só que tem uma coisa: se fosse fácil imagino que já teriam feito. O problema é que as pessoas, no período eleitoral, ganham uma varinha de condão e dizem que vão fazer e acontecer, e depois vêm às questões para justificar o quatro, mais quatro, mais quatro (anos)”, criticou.
Para a senadora, o caminho é uma reformulação das leis, caso seja juridicamente possível. “Uma Constituinte exclusivamente para as reformas, inclusive com candidaturas avulsas para oxigenar o processo e evitar que os interesses inviabilizem as reformas. No Brasil, existe o consenso oco, que é ‘estamos de acordo, são fundamentais as reformas. Agora que é consenso vamos cuidar de outra coisa que essa não dá pra fazer’”, avaliou.
ESTADUAL
A entrevista contou também com a presença da chapa majoritária do PV em Pernambuco, com Sérgio Xavier, ao Governo; Nely Queiroz, a vice; e Renê Patriota, ao Senado. Durante a coletiva, Marina Silva revelou que Sérgio foi o primeiro a chamá-la para integrar a legenda. “Foi quem começou a história de me convidar para me filiar ao PV. O movimento Marina Silva começou primeiro, com o movimento Marina presidente, e o Sérgio pegou corda”, contou.
Ela também voltou a defender que, votando nela, o eleitor brasileiro mostra quem tem o controle do País. “Se eu ganhar as eleições, é a única forma de o eleitor se sentir ancho, porque ele vai dizer ‘quem elegeu a Marina fui eu’. Sou a única que depende 100% dos eleitores. Se o povo brasileiro quiser ficar ancho, vota em Marina Silva, porque aí ele vai mostrar quem manda”, afirmou.
Candidata garante que está sendo transparente
A presidenciável Marina Silva (PV) afirmou estar sendo “transparente” e rebateu as denúncias de que teria feito uso da máquina pública para sua campanha, durante um evento religioso em Bauru (SP), na última quinta-feira. Conforme a reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo, uma funcionária de gabinete da candidata, que atualmente está licenciada do Senado, teria aproveitado a ocasião para pedir votos e negociar o apoio de pastores evangélicos à verde. Ao ser questionada por jornalistas, logo após o encontro, Marina não soube explicar a presença da servidora Jane Maria Villas Boas, no ato de campanha. Ontem, no entanto, ela esclareceu que a funcionária estava de recesso e já se encontrava em processo de exoneração, o que a liberaria para fazer propaganda a seu favor.
“A Jane estava lá com a consciência de que estava em recesso, e tem gente que pode estar em recesso, só que em outros lugares. Assim como ela, outras pessoas que vão trabalhar na campanha vão ser exoneradas também. Tanto é verdade, que eu já havia exonerado duas pessoas”, justificou, referindo-se ao seus ex-assessores Bazileu Alves Margarido e Carlos Antônio Rocha Vicente, que deixaram os cargos no mês de junho.
Marina Silva também apontou a existência de uma tentativa de “nivelar todos os candidatos”, já que, até o momento, não havia sofrido nenhuma acusação desse tipo. Sobre a contradição de versões, ela afirmou que não tinha pressa para se defender e por isso esperou a resposta do partido, que só ontem enviou uma nota oficial para explicar o caso.
“Eu sei que é uma questão que a Imprensa quer saber, que a sociedade quer saber e do ponto de vista político, não basta ser honesto, tem que parecer honesto. Do ponto de vista dos interesses, às vezes você tem que provar na Justiça que é honesto e, do ponto de vista da fé que eu pertenço, você tem que evitar até a aparência do mal”, pontuou a presidenciável, demonstrando não se incomodar com os pedidos de esclarecimentos feitos, especialmente, pelos jornalistas. “Se as pessoas vão acreditar ou não no que eu estou dizendo, é um direito à dúvida, mas estou sendo inteiramente transparente”, enfatizou. A candidata continua no Recife, hoje, Às 9h, ela estará com seus aliados na comunidade do Coque, onde também irá inaugurar a primeira “Casa de Marina”.
Jarbas acusa “jogo sujo” de Eduardo e aliados
PETROLINA - Depois de vários dias evitando tratar do que acusa ser “cooptação” de lideranças oposicionistas pelo governador Eduardo Campos (PSB), o peemedebista voltou à carga, instigado pelo discurso dos prefeitos aliados. E para desfazer as especulações de que estaria desanimado na disputa estadual, garantiu que vai à luta. “Estamos animados, apesar desse jogo sujo. Vamos ganhar a eleição porque o povo julgará meu governo e minha história”, garantiu o candidato, ontem, em Santa Maria da Boa Vista (Sertão do São Francisco), durante o discurso mais contundente de sua campanha ao Governo do Estado até agora..
As declarações de confiança de Jarbas vieram durante comício na casa do prefeito Leandro Duarte (DEM). “Vou para luta e vou ganhar essa luta, porque faltam 64 dias para eleição. Vai depender da minha competência, vontade e vou dar minha vida, história e trabalho”, bradou. O senador vinha se mantendo calado há alguns dias sobre o que chama de cooptação, e assim continuou até que dois prefeitos da região foram ao microfone e revelaram ter “sofrido” pressão do Governo para aderir ao Palácio do Campo das Princesas.
O primeiro a puxar o assunto foi um dos três únicos gestores do PSDB que permaneceram no apoio a Jarbas - Padre Marcos, de Ibimirim. “O governador mandou tanta gente! Eu disse a ele: não perca seu tempo não. Eu ‘tô’ bem aqui!”, contou o tucano. Na sequência, foi a vez do democrata Leandro Duarte, segundo o qual, Jarbas não precisou usar de “subterfúgios para manter aliados ao seu lado”. E emendou: “Fui por diversas vezes tentado a mudar de lado. Não tinha cantada no mundo que me fizesse mudar”, declarou ele, considerando uma “coincidência” ter sido cassado pelo TRE, recentemente, sendo posteriormente inocentado, após rejeitar propostas de adesão feitas pelo Palácio.
Diante da lealdade declarada, o peemedebista agradeceu a “resistência implantada”. No embalo, o ex-governador não se furtou a fazer uma observação: “O prefeito de Gravatá (Ozano Brito-PSDB) se recusou a migrar, e ele (Eduardo) diz por aí que o cooptou. Joaquim Neto (ex-prefeito de Gravatá-PSDB e recém-ingresso nas bases do socialista) não pode receber obras, porque não administra município. Então, por que foi para lá? Por que o governador tem olhos verdes?”.
Duas vezes governador de Pernambuco, Jarbas fez questão de deixar claro que não é candidato agora “por questão de vaidade”. Interpretações de bastidores “eduardistas” dão conta de que o parlamentar teria aceitado entrar na disputa “para alimentar o ego”. “Eu tenho plena consciência de que fui bom prefeito, bom governador, senador correto”, pontuou. Mais uma vez, esclareceu: “Não entrei apenas para ser palanque de José Serra. Fui convocado por meus companheiros para avançar mais”.
O périplo do candidato começou às 9h, em Belém do São Franciso, passou por Cabrobó, Orocó, Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande e culminou em Petrolina. Nas primeiras três cidades, ele concedeu entrevistas às rádios locais e visitou, nos dois primeiros destinos, as Ceasas, em que predominam o comércio da cebola. Jarbas estava acompanhado de toda chapa majoritária, deputados estaduais e federais.
Aliados disparam contra o governador
PETROLINA - Não faltaram adjetivos contrários ao governador Eduardo Campos (PSB) entre os prefeitos, vice e ex-prefeitos que recepcionaram a comitiva do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ontem, no Sertão do São Francisco. Enquanto um queixava-se que o socialista não podia fazer os outros de “títeres (fantoche)”, outro dizia “foi punido” por não querer aderir e teve quem dissesse que a política do socialista “é o cão chupando manga”, voltada para “prejudicar os outros”.
Ex-prefeito de Santa Maria da Boa Vista, José Gualberto (PMDB), afirmou, em discurso naquela cidade, que o “governador não tem o direito de cooptar, fazer os outros de títeres, porque vivemos numa democracia”. Ainda segundo ele, a irrigação está esquecida no local, mesma coisa que “expulsar o povo daqui”.
O vice-prefeito Bruno Medrado (PMDB) lembrou o episódio da cassação no TRE, revertida em caráter de liminar, do prefeito Leandro Duarte (DEM), dando a entender que se tratou de perseguição. “Eu e Leandro fomos meio que punidos por ter lado. Corremos o risco de ser tirados do governo”, alertou. O segundo colocado no pleito de 2008, que assumiria a vaga, é do PSB, Jetro Gomes, derrotado por uma diferença de 63 votos para o democrata.
Do próprio Leandro Duarte, ouviu-se que “não existe um prego do Governo do Estado em nenhum assentamento aqui”. O município é o que tem maior número de assentamentos do Estado - são 32. Segundo ele, após o vendaval, no ano passado, que destruiu o bananal do Projeto Fulgêncio, o governador só deu cesta básica de 30 ‘contos’”. Houve queixa ainda por falta de atenção ao projeto Garça, que serviria à irrigação. Por essas e outras, o democrata julga que Eduardo “está devendo”, uma vez que obteve 70% dos votos ali.
De Ibimirim, o prefeito Padre Marcos (PSDB) contou que teria dito ao governador, quando procurado para mudar de lado, “podemos ficar só nós dois (ele e Jarbas), mas eu fico”. “Vamos rezar que as perseguições virão”, sugeriu.
Já em Lagoa Grande, o marido da prefeita Rose Garziera (PMDB), o ex-prefeito Jorge Garziera (PMDB), disparou: “As pesquisas estão para eles, porque do jeito que eles trabalham é o cão chupando manga. E eu não gosto de falar de ninguém, mas chega um momento em que tem que ter saco”, reclamou o ex-gestor. “Todo dia parece que, para eles, conquistar a vitória é o mesmo que derrubar as pessoas, prejudicar os outros. Volta Jarbas!”, conclamou.
Raul Jungmann se desfaz do sobrenome
PETROLINA - Ele sempre usou em sua trajetória política o nome Raul Jungmann (PPS), mas, agora, candidato ao Senado na chapa do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), o pós-comunista passará a ser só Raul, ocultando o sobrenome conhecido de outras eleições. É tudo questão de estratégia de marketing, explicou ele. O material de propaganda já está pronto e deve ganhar as ruas a partir de hoje, de acordo com o parlamentar. “Foi orientação do meu marqueteiro. Qualquer vizualização com o Jungmann é mais complicado”, detalhou.
As peças publicitárias já aprovadas por ele “têm o mínimo de informação, o mais clean possível”. Na proposta, entrou também a redução do nome. Contribuiu para a mudança o fato de Raul Jungmann estar concorrendo em uma disputa majoritária, não rivalizando mais com o aliado e também deputado federal, Raul Henry (PMDB). “Antes tinha outro Raul, agora só sou eu majoritário, fica mais fácil a adequação em qualquer criação”, concluiu Raul.
Há novidade também relativa ao outro candidato ao senado na chapa oposicionista, Marco Maciel (DEM). Em resposta às acusações dos concorrentes da situação ao Senado, o democrata anda pelo interior agora com panfletos a tiracolo contendo informações sobre todas as obras de sua autoria feitas no Estado. Para cada cidade, foi produzido um folheto específico. Na mala dessa última caravana pelo São Francisco, ele carregava folderes com lista de feitos seus em Petrolina, Cabrobó e Afrânio. Também continha Exu, onde ele estará amanhã na festa em homenagem ao Rei do Baião Luiz Gonzaga. De cada cidade, estão documentadas colaborações suas em áreas diversas: Ação Social, Agricultura e Pecuária, Transportes, Energia, Planejamento, Saúde, Habitação, Segurança Pública e Justiça, Abastecimento D’água, Barragens e Perenização de Rios, Financeiro, entre outros.
Eduardo Campos define prioridades
O governador-candidato Eduardo Campos (PSB) reuniu, ontem, secretários, técnicos do Estado e representantes dos partidos aliados com vistas a iniciar a construção do programa de Governo da Frente Popular de Pernambuco. No encontro, realizado em um hotel no Recife, o socialista explicou que seu objetivo é montar um documento que contemple ações na área social e desenvolvimento econômico. Segundo Eduardo, nessa primeira fase, o coordenador do programa, Antônio Alexandre, colherá contribuições das legendas aliadas. Em seguida, submeterá à avaliação popular; deixando para o guia eleitoral a apresentação das propostas.
Para o governador, o documento tem que ser “algo que unifique a linguagem da coligação com a sociedade”. Citando a experiência de três anos e meio de administração, o socialista reforçou que não quer um planejamento que dure, apenas, para um eventual segundo mandato. “Mas que dialogue com as próximas décadas. Queremos um Estado que consolide a valorização do serviço público”, destacou.
Eduardo Campos ainda enfatizou as promessas cumpridas e ampliadas por sua gestão, nas áreas de Educação, Saúde, Segurança Pública, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, como balizamento. Participaram do encontro, além do vice-governador João Lyra Neto (PDT), diversos secretários e diretores de órgãos. O ato, contudo, começou às 20h, quando o expediente já havia terminado.
Ao fim, questionado sobre as críticas que recebeu do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) quanto à cooptação de oposicionistas para seu palanque, inclusive usando o termo“jogo sujo”, Eduardo silenciou mais uma vez. “Não vou entrar nesse debate”, finalizou, elencando, novamente, as obras que viabilizou na sua gestão.
MARATONA
Mesmo tendo assegurado que só começaria sua campanha de fato em agosto, Eduardo tem aumentado a cada dia a sua agenda eleitoral. Ontem, o socialista foi a inaugurações dos comitês de cinco candidatos proporcionais, além da reunião sobre o programa de Governo. Por volta das 19h, ele passou pelo comitê da ex-deputada estadual e candidata a um novo mandato, Nadegi Queiroz (PHS), em Camaragibe.
Também esteve na abertura do comitê do líder do Governo na Assembleia Legislativa, Isaltino Nascimento (PT), na Boa Vista, Recife. O petista foi bastante prestigiado por aliados políticos, sindicais e outros segmentos da população, a exemplo dos movimentos quilombola, LGBT e da terceira idade.
Campos ainda participou da inauguração do comitê do deputado federal Gonzaga Patriota (PSB), na Madalena. Ele encerrou a maratona prestigiando a ex-prefeita e candidata a federal, Luciana Santos (PCdoB), e o deputado estadual Luciano Moura (PCdoB), que montaram comitê conjunto, em Olinda.
TSE pede que eleitor se informe
BRASÍLIA (AE) - Começa hoje em todo o País a divulgação, em versão 2010 da tradicional campanha da Justiça Eleitoral de esclarecimento e conscientização do eleitor sobre as eleições gerais. Os 26 filmes e comerciais de rádio não mencionam a nova Lei da Ficha Limpa, mas recomendam, expressamente, ao eleitor que pesquisem a vida pregressa dos candidatos e escolham nomes que tenham bons antecedentes.
A campanha começa com pronunciamento oficial do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ricardo Lewandowski, que vai ao ar hoje à noite, às 20h30, em cadeia nacional de rádio e televisão. A partir de então, emissoras de rádio e tevê terão de reservar dez minutos diários para exibir as 26 peças publicitárias até 3 de outubro, primeiro turno das eleições.
A campanha tira dúvidas sobre o voto em trânsito, a digitação dos números dos candidatos nas urnas, e recomenda o uso das “colinhas” para reduzir o tempo gasto nas cabines de votação. Um dos filmes lembra que, pela primeira vez, o eleitor terá de comparecer à seção com o título eleitoral e carteira de identidade com foto, para atender à exigência da minirreforma eleitoral, aprovada em 2009.