31/07  -  Partidos usam brechas na lei para não expor doadores - Folha de SP

PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010

Partidos usam brechas na lei para não expor doadores

Legendas recebem depósitos nas contas comuns, e não na conta eleitoral

Diretórios nacionais declararam ter recebido R$ 18,4 mi em junho; comitês de campanha só foram criados neste mês


BRENO COSTA
DE SÃO PAULO

Apesar de novas regras criadas este ano pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para inibir doações ocultas nas eleições, os partidos já identificaram duas brechas para não expor a origem dos recursos repassados para campanhas eleitorais.
Doações ocultas são aquelas que irrigam as campanhas, mas nas quais a ligação direta doador-candidato não é identificável.
Os diretórios nacionais declararam ao TSE ter recebido de empresas e pessoas físicas, somente em junho, R$ 18,4 milhões. Esse valor não inclui as arrecadações de comitês financeiros e de candidatos isolados, que começaram neste mês.
O volume é inédito. Em junho de 2006, os partidos receberam R$ 263 mil. Em todo o ano passado, essas mesmas legendas receberam apenas R$ 5,3 milhões.
PT, PV e PPS não entraram na conta, porque ainda não entregaram à Justiça Eleitoral os balancetes de junho.
Para brecar as doações ocultas, o TSE determinou que os diretórios criassem, ainda em março, uma conta específica para as eleições. Em tese, todo dinheiro da campanha deveria entrar diretamente ali.
A brecha encontrada pelas legendas foi justamente ignorar a nova conta. A maioria das doações do mês de junho entrou por meio de suas contas comuns, apesar de a "eleições" estar liberada.
Do total de doações, R$ 11,8 milhões (65%) entraram no caixa geral dos partidos. Com isso, se misturaram ao bolo de "recursos próprios", com outras fontes de receita.
Esse dinheiro pode, eventualmente, ser transferido para a conta "eleições", para depois chegar aos candidatos. Mas a origem exata do dinheiro ficará prejudicada.
Segundo tesoureiros e secretários de finanças de partidos ouvidos pela Folha, a partir do momento em que esses recursos migrarem para a campanha, após as eleições só será possível saber a lista de doadores ao partido, mas sem a ligação direta entre doador e beneficiário.
"É um critério dos doadores. Resolveram doar para o partido, e não para a campanha. Como o dinheiro é um bem fundível, ele se mistura um no outro e vai formar um pacote", diz o deputado federal Márcio França, secretário de finanças do PSB, que recebeu R$ 1,2 milhão -só R$ 50 mil na conta "eleições".
Para o vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge, as novas regras do TSE para identificar a cadeia completa de doações são uma "ilusão".
"O que nós [do PSDB] vamos acabar fazendo é o seguinte: no final de todas as doações, divide "pro rata" [proporcionalmente] e diz que deu para todo mundo "pro rata'", afirma.
A outra brecha, também admitida por tesoureiros, é a que permite uma espécie de "lavagem" de doações, numa operação triangular, em que os recursos do Fundo Partidário migram para as campanhas, e as doações de empresas são usadas para custeio interno.

FOCO

Palmeirense, Serra vai a jantar com Ronaldo

Convite partiu de jogador do Corinthians, que promete chamar outros candidatos

DE SÃO PAULO

Fanático palmeirense, José Serra se enfiou em roda de corintianos. Pelo Twitter, na madrugada de ontem, o presidenciável do PSDB avisou que tinha voltado de um "jantar agradável na casa do Ronaldo e da Bia", mulher do atacante do Corinthians.
Pela manhã, também pelo microblog, Ronaldo se antecipou a eventuais polêmicas. Disse que a recepção não significava "apoio político".
"Eu e meus companheiros no Corinthians só demos sugestões para políticas públicas de apoio ao esporte." Segundo Ronaldo, a dose será repetida "com outros candidatos também". O ex-presidente FHC e o lateral Roberto Carlos, entre outros jogadores, também compareceram.
Serra só lamentou o fato de, "entre umas 25 pessoas presentes", ser "o único palmeirense".

 

PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010

Folha e Rede TV! realizam debate com 4 candidatos

Encontro com Serra, Dilma, Marina e Plínio será em 12 de setembro, às 21h

Presidenciáveis selam participação no evento, que terá 90 minutos de duração e três blocos só com confronto direto


DE SÃO PAULO

A Folha e a RedeTV! fizeram acordo com quatro candidatos a presidente da República para a realização de um debate às 21h do dia 12 de setembro, domingo.
Participarão os candidatos que, por força legal, devem ser convidados: José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).
Em reunião na quarta-feira com representantes de PSDB, PT, PV e PSOL, ficaram acertadas as regras.
O debate será nos estúdios da Rede TV! em Osasco.
Haverá três blocos com confronto direto entre os candidatos e outros dois nos quais jornalistas da Folha e da RedeTV! farão perguntas.
Os representantes das campanhas elogiaram o fato de o debate ocorrer em horário nobre. "É uma novidade o primeiro debate em horário realmente nobre", disse Luciano Zica, aliado de Marina.
Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma, disse que o horário "é muito bom". "O debate é mais uma oportunidade para as candidatas e os candidatos confrontarem seus projetos", afirmou.
Na opinião de Luiza Pastor, representante da campanha de Serra, "o debate é mais uma opção para o eleitor identificar qual é o melhor candidato".
"É mais um momento importante que a Folha e a RedeTV! propiciam para que os candidatos tenham espaço para expor suas propostas", disse Edson Miagusko, representante de Plínio.
Há restrição para a realização de debates em rádio e TV. A lei diz que devem ser convidados os candidatos que pertençam a partidos que tenham obtido representação na Câmara dos Deputados na eleição anterior (2006).
Por isso, foram chamados Serra, Dilma, Marina e Plínio.
O debate será mediado pelo jornalista Kennedy Alencar, repórter especial da Folha e apresentador do programa "É Notícia", da RedeTV!. As jornalistas que farão as perguntas aos candidatos serão Renata Lo Prete, editora do "Painel", da Folha, e Patrícia Zorzan, repórter especial da televisão.
A ordem dos candidatos no palco foi decidida em sorteio. O debate, que vai durar 90 minutos, será transmitido pelo UOL (Universo Online), portal de internet do Grupo Folha, e pela RedeTV! e o seu portal de internet.

ESTADOS
A parceria entre a Folha e a RedeTV! prevê ainda a realização de debates com candidatos a governador
em cinco Estados.
Em São
Paulo, o evento acontecerá em 15 de setembro. No Rio, no dia seguinte.
O encontro de Pernambuco será no dia 20. O de Minas Gerais está previsto para 22 de setembro. O do Ceará, para o dia 23.

 

Dilma abre 5 pontos sobre Serra, diz Ibope

Em São Paulo, Alckmin venceria no primeiro turno, com 50% das intenções de voto

DE SÃO PAULO

A candidata Dilma Rousseff (PT) abriu cinco pontos sobre José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República, segundo o Ibope.
A pesquisa, realizada do dia 26 ao 29 de julho, apontou a petista com 39% das intenções de voto, enquanto o tucano tem 34%.
Marina Silva (PV) está em terceiro lugar com 7%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somam 7%, e indecisos são 12%.
Foram ouvidos 2.506 eleitores em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE sob o número 20.809/2010.
No Estado de São Paulo, segundo o Ibope, Geraldo Alckmin (PSDB) venceria no primeiro turno. O ex-governador tem 50% das intenções de voto.
Em segundo lugar na pesquisa aparece o senador Aloizio Mercadante (PT), com 14%, e em terceiro, Celso Russomanno (PP), com 9%.
Depois vêm Fabio Feldman (PV), Paulo Búfalo (PSOL) e Paulo Skaf (PSB), com 1% cada um. Luiz Carlos Prates, o Mancha (PSTU), Igor Grabois (PCB) e Anaí Caproni (PCO) não pontuaram. Brancos e nulos somam 10% e 13% estão indecisos.
Foram ouvidos 1.204 eleitores do Estado de São Paulo dos dias 27 a 29 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais. A pesquisa está registrada no TSE com o número 20.791/2010.

 

CLAUDIO WEBER ABRAMO

Candidatos omitem combate à corrupção


Presidenciáveis não revelam disposição para mudar regras do sistema político




A PREDOMINÂNCIA da projeção de imagem sobre a substância (algo que não é exclusivo da política, num país em que, em todos os campos e sem exceção, a conversa fiada é sempre mais valorizada do que a realidade) torna programas de governo de candidatos peças quase descartáveis.
Ainda assim, a leitura desses documentos às vezes revela algo sobre os candidatos. É o caso do combate à corrupção.
Tomando-se os três principais pretendentes à Presidência da República (José Serra, Marina Silva e Dilma Rousseff), o primeiro não tem nenhuma palavra a dizer sobre o assunto.
Serra ainda não tem um programa de governo; alguns temas genéricos (cultura, saúde, educação etc.) são citados em pequenos textos publicitários. Até agora, o candidato nada teve a dizer sobre as disfuncionalidades institucionais e gerenciais que levam à corrupção.
Dilma Rousseff, por seu lado, menciona apenas que promoverá "o prosseguimento, por meio da Controladoria-Geral da União, da AGU e da Polícia Federal, de ações de combate à corrupção". Ou seja, chove no molhado. Curioso seria se propusesse que tais entes deixassem de combater a corrupção. Não há uma palavra sobre a alteração das causas da corrupção. Há, sim, a identificação de uma causa fictícia para o fenômeno, a saber, o financiamento privado de campanhas eleitorais.
Dilma compartilha essa visão com a candidata Marina Silva. Como consequência, ambas declaram-se partidárias da proibição das doações privadas como método de combate à corrupção, sem que dediquem uma só palavra à explicação do inexplicável, ou seja, como uma coisa se relacionaria com a outra.
A única candidata cujo programa aborda o tema da probidade na administração pública com alguma atenção é Marina. É pena que demonstre compreensão limitada sobre o problema, o que a induz a atirar no alvo errado. Ao tratar de uma das principais causas da corrupção, que é o aparelhamento do Estado, propõe "reduzir drasticamente o número de cargos comissionados ocupados por quem não é servidor público".
Acontece que, no governo federal, já é assim. O porcentual de cargos de confiança ocupados por gente de fora das carreiras públicas tem diminuído com o tempo, num processo que começou no governo FHC e se intensificou no governo Lula. Isso não significa que os detentores desses cargos deixem de ser agentes políticos.
Servidores concursados ou não, eles são nomeados pelos partidos como parte do loteamento administrativo que sustenta a coligação de governo. Isso resulta em verdadeira usina de corrupção, porque os nomeados não trabalham para nós, mas para quem os nomeou.
O problema é a imensa quantidade de gente que o presidente, o governador, o prefeito podem nomear, e não a origem funcional dos nomeados. Marina não percebeu isso, mas tem tempo de mudar.
Quanto a Serra e Dilma, é inacreditável desconhecerem como a usina funciona. O fato de não mencionarem o tema mostra que, ao menos até o momento, não se dispõem a alterar as regras desse jogo. Ou talvez porque, se o fizessem, perderiam a única moeda de troca de que de fato dispõem na negociação com os partidos de suas respectivas coalizões.

 

ABRAJI

Congresso termina hoje com palestra de Lowell Bergman

DE SÃO PAULO - Aron Pilhofer, editor de notícias interativas do "New York Times", será um dos destaques de hoje no 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado em São Paulo.
Promovid
o pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) na Universidade Anhembi Morumbi (na na unidade Vila Olímpia ), o congresso começou na quinta-feira e termina hoje.
Frequentemente apontado como "guru" da interatividade do "New York Times", Pilhofer revolucionou o jornalismo on-line ao usar dados brutos para criar mapas interativos, infográficos e aplicativos que permitem ao leitor manejar a informação para tirar suas próprias conclusões.
Outro destaque do encerramento será o jornalista Lowell Bergman, ganhador do prêmio Pulitzer por reportagens sobre a indústria do tabaco. Seu trabalho à frente do programa "60 Minutes" foi retratado no filme "O Informante", de Michael Mann, com interpretação de Al Pacino. Ele falará sobre crime organizado.

 

Tucano exonera 8 parentes de assessor em PE

Folha mostrou que funcionários não davam expediente em escritório de Sérgio Guerra

DE SÃO PAULO

O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador da campanha presidencial de José Serra, exonerou os oito parentes de um assessor que estavam lotados em seu escritório de apoio em Recife, mas que nunca deram expediente. O caso foi revelado pela Folha em junho.
Os parentes de Caio Mário Mello Costa Oliveira, uma espécie de faz-tudo do senador em PE, não davam expediente no local e mantinham ocupações paralelas -embora a frequência seja exigida por uma norma do Senado.
A única secretária que trabalhava no escritório de Guerra disse que nunca tinha ouvido falar na família.
À época, Guerra, que também é presidente nacional do PSDB, negou que eles fossem "fantasmas". Agora, o senador diz que exonerou a família "porque quis exonerar".
"Vou fazer uma reforma aqui no meu gabinete. Daqui a cinco meses eu não sou mais senador. Eu tomei providências para evitar problemas. Tem campanha agora, e é mais prudente eu limpar isso tudo aqui e pronto", disse.
Guerra chegou a consultar, porém, a área jurídica do Senado, para saber se o fato de empregar dois filhos, dois irmãos, três sobrinhos e uma cunhada de seu assessor configuraria nepotismo.
A consulta ao Senado, segundo o senador, resultou em uma resposta "vaga", o que, diz ele, também motivou a exoneração.
Segundo entendimento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), nem parentes de assessores podem ser nomeados em cargos de comissão.
Guerra tenta vaga na Câmara nas eleições deste ano. Ele se queixou de adversários políticos seus estarem usando o caso como ataques durante a campanha.
O senador não soube dizer a data da exoneração. Seu gabinete informou que a dispensa foi publicada já no mês de julho, mas não informou a data exata.
(BRENO COSTA)

Ex-governador recebe apoio de Itamar Franco

DE BELO HORIZONTE

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, recebeu ontem o apoio formal do ex-presidente Itamar Franco (PPS). O encontro entre os dois foi articulado pelo ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB).
Até então, o apoio de Itamar era questionado, pois ele fizera apenas uma declaração dizendo que seu partido estava na aliança nacional com o PSDB e, por isso, estaria com o tucano.
A costura para o encontro de ontem, começou na noite da última terça, quando Serra desembarcou em BH e passou todo o dia seguinte em Minas, ao lado de Aécio.
Ontem, ao receber o apoio do ex-presidente, Serra disse que estava "alegre e emocionado" e que o apoio de Itamar era "de enorme importância política, eleitoral e moral".
Itamar, por sua vez, destacou sua "lealdade" à coligação que apoia o tucano e afirmou que não fez nenhuma exigência a Serra para apoiá-lo.
(PAULO PEIXOTO)

 

PRESIDENTE 40 ELEIÇÕES 2010

Marina exonera assessores do Senado

Candidata demite dois funcionários do gabinete que atuavam na campanha, mas diz que situação era regular

Presidenciável disse, ao ser questionada sobre uso da máquina, que há "tentativa de querer nivelar todo mundo"


DANILO SÁ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DE NATAL

A candidata à Presidência Marina Silva (PV) exonerou ontem dois assessores lotados em seu gabinete do Senado que atuavam na campanha. Na véspera, uma funcionária de confiança foi flagrada pedindo voto e negociando apoio de pastores evangélicos em Bauru (SP).
Em nota, João Paulo Capobianco, coordenador da campanha de Marina, sustentou que Jane Maria Vilas Boas e Pedro Ivo de Souza Batista estavam "em condição regular do ponto de vista funcional e legal", mas serão exonerados imediatamente.
Ontem, em Natal, Marina disse que os assessores estavam trabalhando na campanha de forma voluntária, durante o recesso parlamentar. Segundo ela, os dois estariam fazendo "o que lhes é interessante do seu tempo".
Sobre Jane, que distribuiu cartões com o brasão do Senado no encontro com religiosos, ela disse: "Assim como outros servidores nesse tempo visitam os pais em seus Estados, a Jane estava fazendo a militância dela".
Ainda em Natal, Marina criticou a repetição de atos irregulares por parte dos candidatos na campanha. "Quem cometer erros deve ser multado, sim, pela Justiça. Mais do que receber a multa, é preciso não repetir os erros", disse Marina.
Mais tarde, em Recife, a candidata disse haver "uma tentativa de querer nivelar todo mundo", ao responder sobre o possível uso da máquina na sua campanha.
"Eu sempre digo, do ponto de vista político, que não basta ser honesto, tem que parecer honesto", afirmou.
Marina declarou que mais dois servidores também serão afastados para se integrarem à campanha.

Colaboraram JEAN-PHILIP STRUCK, de São Paulo, e FÁBIO GUIBU, de Recife

 

Mal-estar com PDT faz Dilma cancelar agenda

DA ENVIADA A PORTO ALEGRE

O desconforto da disputa pelo PDT na corrida ao governo do Rio Grande do Sul levou ontem ao cancelamento de uma agenda de Dilma Rousseff (PT) com 500 prefeitos, vice-prefeitos e líderes de partidos da aliança nacional em torno de sua candidatura.
O PDT, coligado de José Fogaça (PMDB) ao governo -o vice é o pedetista Pompeo de Mattos-, fez chegar aos ouvidos de Dilma e Lula seu descontentamento pelo assédio que prefeitos da sigla vêm sofrendo do grupo que apoia Tarso Genro (PT).
No plano nacional, PT, PMDB e PDT integram a coligação de Dilma. No Rio Grande do Sul, vivem uma guerra. Tarso e Fogaça são os principais candidatos ao governo.
O presidente do PDT no Estado, Romildo Bolsan Jr., acusa o PT de ser "antiético e usar táticas de guerrilha" para cooptar pedetistas.
Na noite de quinta, antes do comício com Lula, Dilma pediu a Tarso que moderasse o assédio aos pedetistas. Entre os cooptados está o ex-governador Alceu Collares (PDT), que participou do comício, mas não falou.
Segundo o prefeito Ari Vanazzi (PT), que coordena a campanha de Dilma no RS, o encontro de ontem ficou para o dia 12, quando será inaugurado o comitê.
(ANA FLOR)

 

Skaf e Feldmann tentam romper plebiscito entre PSDB e PT em SP


SEM TEMPO DE TV NEM ALIANÇAS E PATINANDO NAS PESQUISAS, CANDIDATOS ENFRENTAM MÁQUINAS




FERNANDO GALLO
SÃO PAULO

Com a tarefa de tentar romper a polarização entre o PT, que controla a máquina federal, e o PSDB, que detém a máquina estadual, sem os mesmos recursos financeiros nem o mesmo tempo de TV e rádio, o empresário Paulo Skaf (PSB), 54, e o ambientalista e ex-deputado Fabio Feldmann (PV), 55, vão ao pleito de 3 de outubro como candidatos "azarões" ao governo de São Paulo.
Na última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado passado, Skaf aparece com 2% das intenções de voto e Feldmann, com 1%. O candidato pessebista tem 1min19s e o verde, 59 segundos de tempo de TV, contra 4min16s de Aloizio Mercadante (PT) e 6min56s de Geraldo Alckmin (PSDB).
O PSB está coligado só com o nanico PSL. O PV não fez alianças.

 

ENTREVISTA PAULO SKAF

"Lula me sugeriu que entrasse na política"

Empresário diz que trabalhará ao lado dos secretários de Segurança, Saúde e Educação

DE SÃO PAULO

O empresário Paulo Skaf promete levar os secretários de Segurança, Saúde e Educação para trabalhar dentro do Palácio do Governo: "São três áreas que pretendo acompanhar de perto". (FG)

Folha - Quais serão as principais plataformas de campanha do sr.?
Paulo Skaf
- Os velhos problemas serão as prioridades. Ao discutir saúde, educação e segurança, parece que você está sendo repetitivo. Mas, lamentavelmente, as preocupações do povo de São Paulo há 20 anos eram essas.

Por que o sr., que tem uma carreira sólida no meio empresarial, entrou na política?
Como muita gente, eu vinha reclamando dos políticos, da falta de eficiência dentro da administração. Um dia comentei com o presidente Lula. E ele me sugeriu: "Ô Skaf, entra na política e faz de forma diferente". Achei a ideia boa, aceitei o desafio.

O que distingue sua candidatura das demais de oposição?
Vamos falar de educação. Nossa proposta é os nove anos do ensino fundamental em tempo integral. Depois, no ensino médio, é meio período. E, no contraperíodo, cursos técnicos. Não conheço proposta dessa forma. Da mesma forma, quando falo em descentralizar o governo estadual, em criar subgovernadorias nas regiões administrativas. São exemplos.

Pode citar.
Pretendo ter os secretários de Saúde, Educação e Segurança dentro do Palácio do Governo e acompanhar de perto tudo isso. Na segurança, quero investir em tecnologia e informação, na formação do policial. E melhorar a remuneração para que não vejam o governo como bico.

À Justiça o sr. declarou ter participação na Skaf Participações e Administração de Bens Ltda. É uma indústria?
Trabalhei 22 anos na indústria têxtil, depois redirecionei meus negócios. Essa Skaf Participações é uma sucessora da Skaf Indústria Têxtil, que deixou de ser indústria têxtil. Participo, no setor têxtil, como vice-presidente do Conselho da Paramount [Grupo Paramount Têxteis]. A Skaf Participações, hoje, constrói e aluga.

O sr. teve a oportunidade de conhecer a vida das pessoas de classes mais pobres?
Esse trabalho à frente do Sesi, do Senai [instituições sociais do sistema Fiesp]... As pessoas são simples. Como industrial, sempre fui muito próximo de todos que trabalhavam comigo. Sempre tive contato e tal. E, em todo lugar que vou, gosto muito de conversar com as pessoas. Quando a gente circula nas ruas, quanto mais simples as pessoas, me dá bastante prazer de conversar, ouvir e sentir.

Na Operação Castelo de Areia, a PF acusou o sr. de servir como intermediário entre a Camargo Corrêa e partidos políticos em transações ilegais. O sr. participou disso?
A Polícia Federal não acusou nada. Divulgaram uma interceptação telefônica em que foi conversada uma doação legal. Em época de eleição, é muito natural deputados e senadores procurarem o presidente da Fiesp. No caso dessa empresa [Camargo Corrêa], todos os casos destacados foram comprovados com recibo.

 

ENTREVISTA FABIO FELDMANN

"Com vinda de Marina, mudamos de patamar"

Segundo o candidato do PV, ele está para o PSDB como a presidenciável está para o PT

DE SÃO PAULO

O ambientalista e consultor Fabio Feldmann (PV) critica a agenda dos candidatos das demais legendas: "Os outros candidatos ainda têm uma visão de mundo do século 20 e uma prática política muito ligada aos esquemas tradicionais".

Folha - Quais serão as suas principais plataformas?
Fabio Feldmann
- Economia de baixa intensidade de carbono, criativa, da biodiversidade e novas políticas sociais. Essas últimas são muito próximas às da Marina [Silva, candidata do PV à Presidência], com a ideia de que os programas têm de ter porta de entrada e de saída.

E nos campos tradicionais?
Sobre saúde, no campo dos alimentos, a regulação de sal, açúcar, gordura trans. Nos combustíveis, a questão do diesel. São Paulo tem que ter um padrão de diesel que comprometa menos a saúde de quem vive na região metropolitana. No campo da segurança, estamos propondo tolerância zero com o crime.

Por que o sr. resolveu voltar à vida política após 12 anos?
Estamos vivendo um momento especial. No mundo, o grande desafio é o aquecimento global. Isso significa a necessidade de um Partido Verde fortalecido. Com a vinda da Marina, acho que mudamos de patamar, do ponto de vista político, os nosso temas. Eles requerem densidade política e eleitoral.

Por que, dentre as opções que o eleitor tem em São Paulo, deve votar no sr.?
Acho que representamos claramente uma nova opção na política. Nossa agenda espelha o século 21. Os outros candidatos ainda têm visão de mundo do século 20 e prática política ainda muito ligada a esquemas tradicionais. Não vejo nos outros candidatos a discussão dos reais desafios para São Paulo.

O sr. é muito identificado com a causa verde. Como mostrar para as pessoas que o sr. não é monotemático?
Os temas que estou discutindo são mais econômicos do que ambientais, com reflexos dramáticos na vida das pessoas. Quando eu falar de transporte, por exemplo, vou falar de política barata, eficiente e não poluidora.

Por que o PV-SP não se aliou a outros partidos?
É um pouco o que aconteceu no nível nacional. Aliança têm que estar de acordo com as nossas propostas. Aliança política no Brasil, hoje, basicamente têm o objetivo do tempo de TV.

Se o sr. for eleito, com quem fará alianças?
A tendência é fazer aliança com os partidos mais próximos do Partido Verde.

Que seriam...
Temos condições de fazer com o PT e o PSDB. Hoje você tem uma Marina Silva, que vem da fundação do PT, e eu estou para o PSDB como a Marina está para o PT.

O sr. quer incorporar o Índice de Felicidade aos índices de bem-estar. Por quê?
O Produto Interno Bruto [PIB] tem grandes limitações que estão sendo reconhecidas no mundo inteiro. Novas metodologias permitiriam que a sociedade aferisse de maneira refinada como ela valoriza o seu bem-estar.

Político sem teto

Empresário que faliu no Plano Collor virou morador de rua em Curitiba e agora pede votos para deputado estadual com uma motoneta comprada com o dinheiro que ganhou com coleta de lixo

DIMITRI DO VALLE
DE CURITIBA

Empresário falido com o confisco no governo Collor, José de Camargo, 62, que mora na rua há 11 anos, decidiu candidatar-se a deputado estadual pelo PRTB no Paraná.
Com uma motoneta, comprada com o dinheiro que arrecadou catando latinhas e outros materiais recicláveis e coberta de adesivos do partido (ele ainda não foi buscar os próprios santinhos), o sem-teto diz que costuma pedir votos na rua, sozinho.
Se eleito, o candidato quer criar uma comunidade de recuperação de dependentes químicos na região de Curitiba e atuar como representante dos catadores de lixo contra "o lobby das grandes empresas" do setor de limpeza.
"Quero ser deputado para acabar com o monopólio do lixo neste país e, anote aí, que em 2014 serei candidato à Presidência", afirma.
Zezé de Camargo -como é conhecido num galpão abandonado na periferia de Curitiba, onde mora sob a permissão do proprietário do imóvel- conta que foi parar na rua após problemas financeiros graves seguidos de uma crise de depressão e cinco tentativas de suicídio.
Pai de quatro filhos do casamento e outros quatro frutos de "produção independente", Zezé afirma que é dependente de álcool desde os sete anos de idade.
Nos dias em que trabalha até 18 horas como catador, Zezé consegue fazer R$ 100. Quando não vai para o "mocó", local de abrigo dos catadores, ele pode ser encontrado numa velha camionete que também é improvisada como casa.
Os problemas pessoais e sua história nas ruas começaram quando ele, dono de uma factoring (empresa que presta financiamentos e empréstimos), sofreu calotes devido ao Plano Collor.
"Vou continuar minha vida de morador de rua", diz ele, caso seja eleito.
"A rua é minha vida. Aqui me sinto útil ajudando as pessoas", afirma Camargo, que ganhou o apelido de Zezé devido à semelhança, quando criança, com a atriz e comediante Zezé Macedo.
"Na época, não gostava. Mas é óbvio que agora é bom, por causa da associação com Zezé Di Camargo e Luciano", afirma, numa referência à dupla sertaneja.
Zezé diz que, antes mesmo de ir morar na rua, enfrentou problemas graves.
Conta que em 1969 se envolveu num tiroteio em uma boate de prostituição e que em 1977 atropelou um pedestre, que acabou morrendo.
"Mas há muito tempo eu sou um cara de paz."

 

Frase

Quero ser deputado para acabar com o monopólio do lixo neste país e, anote aí, que em 2014 serei candidato à Presidência
JOSÉ DE CAMARGO
morador de rua, de Curitiba

JORNALISMO

ANJ repudia agressão de Collor a jornalista da revista "IstoÉ"

DE SÃO PAULO - A ANJ (Associação Nacional de Jornais) divulgou ontem nota de repúdio à agressão e aos xingamentos feitos pelo senador Fernando Collor (PTB) ao jornalista da revista "IstoÉ" Hugo Marques.
Ontem, Collor ligou para a redação da revista em Brasília e ameaçou o jornalista devido à publicação nesta semana de uma nota sobre a impugnação de sua candidatura. O senador concorre ao governo de Alagoas nas eleições deste ano.
"Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da p...", disse o senador.
Conforme a ANJ, é inadmissível que um candidato desconheça o papel da imprensa a ponto de reagir desta forma a uma notícia. A entidade também afirma que espera dos candidatos espírito democrático e respeito às instituições e às liberdades.
"A ANJ insiste junto às autoridades competentes para que assegurem a plena vigência dos princípios constitucionais de liberdade de expressão e promovam a imediata apuração dos eventuais abusos."